sábado, 22 de janeiro de 2011

Presidente com "A" no final.




Nunca antes na história desse país, como diria o excelentíssimo ex-presidente [ex? (entenda como quiser)], se viu um fato como esse: Uma mulher eleita democraticamente ao cargo máximo da República. Um fato deveras importante para a história da democracia nacional e que ratifica o crescimento da igualdade social no país – pelo menos no que tange os gêneros –, contrapondo-se ao machismo histórico que durante séculos (milênios, eras...) reinou imponente, não só no Brasil, mas em todo o mundo, seja pela idéia de uma suposta imposição por parte da(s) divindade(s), ou por qualquer outro motivo, que subordinou as mulheres em vários âmbitos da sociedade.

Algumas marcas dessa subordinação são notórias. Um exemplo claro se encontra na linguagem, mais precisamente nos substantivos “Sargento”, “Soldado”, dentre outros, geralmente referentes às patentes militares. Outras são tão latentes, a ponto de não mais remeterem à intenção pela qual foram estabelecidas, ou até mesmo serem convenientes do ponto de vista fonético. São os chamados Substantivos de Comuns de Dois gêneros, nos quais a distinção é feita pelo artigo precedente, como nas palavras ‘hospede’, ‘estudante’ e (wait for...) ‘Presidente’.

Durante a última campanha eleitoral – e até mesmo depois dela –, a então candidata Dilma Vana Rousseff se promoveu como “a primeira PRESIDENTA do Brasil”. Assim mesmo, com “A” no final.

A ideologia de esquerda de Dilma nos faz crer no intuito de uma possível intenção de quebra de paradigmas, o qual logo é atenuado, se observarmos o contexto inserido e a insistência em utilizar essa pseudorreforma, afinal “a propaganda é a alma do negocio”. E que propaganda! Que negócio!

Uma pesquisa encomendada pelo Tribunal Superior Eleitoral e realizada pelo instituto Sensus em 5 regiões brasileiras, 24 estados e 136 municípios, aponta que 52,3% do eleitorado brasileiro é composto por mulheres, enquanto apenas 47,8% dos eleitores são do sexo masculino. Seria um orgulho e tanto para essas mulheres que obtiveram o reconhecimento legal do direito ao voto apenas em 1927 (sendo a professora Celina Guimarães de Mossoró/RN, diga-se de passagem a pioneira em fazer o alistamento eleitoral), ter uma delas como presidente, ou melhor, PRESIDENTA, não acham?! Os marqueteiros da Dilma fizeram questão de deixar isto bem claro.

Passou-se a eleição, Dilma venceu e, pela obstinação dos profissionais do marketing, a mídia aderiu (propositadamente ou não) à moda, de sorte que a idéia de uma presidente com “A” no final na verdade reflete, não uma flexibilização do machismo histórico da linguagem portuguesa, mas sim uma supervalorização do título de primeira mulher a chegar ao posto máximo do Poder Executivo Nacional. Se isso é bom para o Brasil? Bem, temos quatro anos pra descobrir. Quatro?

J.S.


*Corrigido

6 comentários:

  1. Excelente texto. Muito bom mesmo.
    Gostaria de fazer uma pequena observação e complementar um pouco o que foi explanado no texto.
    Sabemos que a nossa língua portuguesa usa palavras como "estudante", "hospede" e "presidente" com os dois gêneros, não necessitando adequar a palavra ao gênero, como foi muito bem dito no texto.
    Sabemos também que é possível se fazer a escolha de como usar essas palavras: apesar de não ser muito comum (nada comum), é aceitável os termos "estudanta" e também "presidenta".
    A Presidenta Dilma Vanna Rousseff deixou bem claro que quer ser chama assim mesmo, com "A" no final. Tanto que no seu convite para a posse, ela se chamou dessa forma. Deixou bem claro isso, repito.
    A observação que faço é a seguinte:
    Os meios de comunicação que compõem o já tão famoso PiG (Redes Globo e Folha, por exemplo), insistem em resistir a aderir esta escolha da Presidenta da República. Como suas comunicações abrangem todo o território nacional, e como já alienaram a nação e retém uma maciça audiência, eles tentam impor à população a forma mais usual da palavra, PRESIDENTE. Eles acham que assim é uma forma de "vencer" a petista, já que não conseguiram fazer isso nas eleições, contrariam o capricho desejado da nossa PRESIDENTA.

    "Em cada detalhe se esconde uma multidão de intenções maldosamente encobertas"

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  2. Muito bom mesmo esse texto, vemos que a presidentA Dilma realmente quer quebrar alguns paradgmas machistas, um belo exemplo foi sua convocação de 9(se não me engano) mulheres para compor os ministérios e secretarias.

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  3. Caríssimos,
    primeiramente agradeço pelo prazer que sempre nos proporcionam com suas visitas a este singelo blog, bem como pelas suas colaborações na aba "Abre aspas", na qual sempre serão bem vindos, e agora, por seus riquíssimos comentários.

    De fato alguns linguistas já aceitam a feminização dos substantivos comuns de dois gêneros (e, de igual modo, a inserção de marcas da oralidade na norma culta da língua - diga-se de passagem), mesmo admitindo a presença da chamada "cacofonia". Tudo isso se dá pelo simples fato que chamam de "Vício de Linguagem".

    Interessante a sua colocação, Lucas: Capricho; visto que não há necessidade para tanto. E concordo mais ainda com a menção do PIG(Partido da Imprensa Golpista) e a conspiração, alienação e outros "ção's" não benéficos para a sociedade, por ele promovidos, sendo útil destacar as recentes investidas contra uma simples e normal sobrecarga de sistema, fazendo parecer algo propositado para desgaste da população. Porém tal sobrecarga poderia ter sido evitada, se houvesse uma fragmentação do meio de inscrição, por estado e a cargo do Governo Estadual (pq, não? Afinal um Exame Nacional do Ensino Médio ainda está na jurisdição, constitucionalmente estabelecida, do Governo Estadual).
    O PIG é sim sensacionalista, conspirador e prosélito, mas a 'fortuna' nem sempre está a favor do Estado, ou, no assunto anterior, da Presidente.

    Já pensou se a língua flexionasse assídua e desnecessariamente todo vício de linguagem? Seria um caos verdadeiro linguístico.

    Agora note: Não seria muito mais proveitoso se tal alteração fosse feita em casos mais notórios (e menos cacofônicos) de machismo linguístico, como nos citados no texto)?
    Pelo menos é assim que eu vejo.

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  4. Bem, antes de tudo, parabéns pela iniciativa do Enfoque Político! Vocês dois são admiráveis, sabiam? Pouquíssimos jovens, nos dias de hoje, criariam um blog sobre política, expressando suas visões sobre o assunto. Poucos se importam realmente com política. É muita alienação. Parabenizo a vocês, Jeff e Mateus, por fazerem a diferença.

    Com relação ao tema... desde que a então candidata Dilma começou a usar a palavra "presidenta", fiquei intrigada. No começo, confesso que interpretei como mero desvio gramatical. Só depois fui perceber a real intenção na escolha da forma terminada em "a".

    Indubitavelmente, houve jogo de marketing por trás disso. A Dilma tinha de investir o máximo na ideia de que seria a primeira presidentA, não? Afinal, seu principal adversário era MAIS UM homem. (Vale lembrar que a eleição de uma mulher já vinha sendo bastante usada como propaganda desde, pelo menos, a eleição presidencial passada).

    Talvez tenha havido um desejo feminista também. Mas penso que, antes de tudo, o vício de linguagem foi um belo lance publicitário.

    Por fim, torço para que a eleição da primeira presidenta traga a tão esperada igualdade entre os sexos, ou pelo menos gere evoluções nesse sentido. Além, é claro, de soluções para os tantos problemas que enfrentamos no Brasil. Resta-nos esperar e vigiar.

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  5. Bem, ainda estou com alguns problemas com o WordPress, então nem saiu meu nome ou minha foto no comentário acima.

    Só para me identificar: Fátima Menezes. xD

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  6. Fátima,

    Digo, antes de tudo, que sua visita à este blog é uma honra e que espero ver sempre os seus comentários enriquecendo os debates aqui iniciados.

    Afim de mostrar que esse jogo publicitário não é uma novidade na política brasileira, complemento suas afirmações citando o exemplo da atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney, a qual lançou sua pré-candidatura à presidência, pelo antigo PFL, em 2002 com o jingle "Ela é a número 1" em referência à possibilidade de ser a primeira mulher a chegar ao cargo máximo da República.(vide link - http://youtu.be/cubjJ8KICaQ ).

    Se formos mais a fundo, em 1998 veremos a candidatura de Thereza Tinajero Ruiz (do Partido Trabalhista Nacional - PTN), na qual usou a mesma idéia de "mulheres no poder" atingindo apenas 166.138 votos, visto a não tão relevante representação do seu partido.

    Uma hora tinha que dar certo. E deu. Deu?

    Abraço.

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