
É notória a adesão do governo atual à política do pragmatismo, onde torna eternas, medidas que deveriam ser provisórias, isto quando não as utiliza como carro-chefe de resolução de problemas históricos, argumentando rapidez e redução de gastos, e esquecendo-se do principal argumento na declaração de medidas governamentais: a eficácia.
Como se não bastasse a multidão de bons projetos com caráter paliativo e prática efetiva, a mais nova medida governamental se mostra como uma ação desesperada de corrigir em semanas, séculos de inércia do Estatal para com os que ele mesmo marginalizou. Refiro-me à ação de desocupação das favelas do Rio a qual desencadeou uma crise de violência que, por sua vez, apenas traz à tona o descaso do estado para com educação de base. “Uma questão social de séculos sendo tratada como caso de policia, é somente para inglês ver.” Declarou um internauta.
Não os ingleses, mas os norte-americanos já viram e sentiram na pele. A saber, no auge da crise de violência urbana em Nova Iorque (década de 90), o Estado investiu na política de "tolerância zero", punindo severamente crimes que classificou como “de base”, desestimulando, assim, a prática de crimes de grande porte, como assassinatos, estupros e tráfico. Hoje, O Centro Financeiro do Mundo, é uma das cidades mais seguras do país. Um exemplo de ação PROGRAMÁTICA.
No Brasil torna-se muito mais fácil e barato matar, já que o sistema carcerário é obsoleto para tamanha ação de segurança pública e a educação não tem capacidade de formar cidadãos-profissionais e mostrar-lhes um caminho alternativo ao que basicamente são destinados pelas condições de vida que lhes são dadas. Resta-nos apenas saber: até quando o pragmatismo satisfará?
Em contrapartida, as UPP’s vêm dando uma tênue linha de esperança aos cariocas, prometendo a instalação de escolas e programas sociais nas áreas ocupadas, o que será como “enxugar gelo”, caso seja implantada “apenas onde tinha bandido”.
Pode parecer utópica a mudança de uma sociedade através dos seus alicerces, mas desacreditar em metas, mesmo que distantes, é para quem não sabe programar o futuro, de sorte que a política de “pacificação” terá sido em vão, se não coadunar com um projeto de educação de base em todo o país. Quando pararmos de pensar somente no agora, e passarmos a programar o futuro, confirmaremos que o tempo é um grande aliado na concretização de idéias eficazes.
J.S.
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