segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A volta do antagonismo




O mais recente episódio da história-em-quadrinho política (na qual prevalece o gênero comédia, quando não terror, diga-se de passagem) trouxe à tona uma situação que há muito fora esquecida pela população: O antagonismo existente entre o Poder Público e o Poder Alternativo que domina - com interesses, tributos e leis próprias - a comunidade posta à margem da sociedade.

Tal alheamento se deu em função de enes fatores, dentre os quais, podemos destacar primeiro, a omissão histórica (que mais parece estórica) dos supostos mocinhos dessa trama.

Durante anos o Estado permaneceu inerte em relação à situação de violência e criminalidade daquilo que, a fim de amenizar a sua culpa, chama de “Grandes Complexos Habitacionais”, permitindo que se consolidasse o chamado Governo Alternativo, tachado como principal vilão da narrativa, diferentemente do que mostram os fatores históricos, sociais e culturais das condições de vida oferecida aos comunitários.

É óbvio que não será em uma semana que descubriremos se o homem é corrompido por natureza, ou se é a sociedade que o corrompe, mas de uma coisa temos certeza: não foi na escola que os que agora preenchem os papéis de vilão aprenderam a roubar, traficar, seqüestrar ou assassinar.

Segundo, as ações de “segurança pública”, que eram feitas esporadicamente, quase sempre vinham acompanhadas de interesses políticos e pessoais. Tais ações desorganizadas se demonstraram desastrosas, e deram cabo à vida de centenas de vidas, inocentes ou não. Uma verdadeira limpeza étnico-social.

Terceiro, e não menos importante, seria impossível não esquecer o antagonismo numa história onde até os mocinhos insistem em ser vilões.

A corrupção policial contribuiu consideravelmente para a descrença em alguém que pudesse defender os interesses da ordem pública. Como esquecer essas manchetes:

Policias corruptos facilitam ação de traficantes em Cumbica


Rio: Policiais teriam dado cobertura a traficantes

Fonte: O globo.



PIC denuncia policiais corruptos

Fonte: Paraná online.


Policiais Traficantes presos em Curitiba

Fonte: Growroom


[...]


Dessa forma, não precisa ter alzheimer pra esquecer a diferença entre os vilões e os mocinhos. Resta-nos agora esperar os próximos episódios.

J.S.

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