
Nos últimos dias temos acompanhando através dos principais meios de comunicação, a ação conjunta de intervenção por parte da polícia militar, exército, aeronáutica e fuzileiros navais nas favelas do Rio de Janeiro, a qual tem recebido a denominação de “ação pacificadora”. Por ir totalmente contra a minha compreensão do sentido da palavra “pacificador”, e por não entender, desta forma, o motivo que leva a operação assim ser chamada, procurei dirimir minhas dúvidas recorrendo ao dicionário. Descobri, desta forma, que o problema não estava na minha interpretação, mas sim na forma como a palavra foi empregada. Segundo o Aurélio, “pacificador” é aquele que pacifica ou estabelece a paz, uma realidade totalmente oposta ao que vem sendo realizado nas favelas do Rio, o combate ao crime com projetação de guerra. É como se a palavra adquirisse outro significado: Ação de promover conflitos, destruir vidas e obter domínio. Prefiro então chamar de “faxina social”: Uma limpeza daquilo que é indesejado e não convém ser mostrado.
Inocentes são aqueles que aceitam a simples justificativa de que a operação tem por objetivo desarticular o tráfico nas favelas e garantir a liberdade e a integridade moral dos indivíduos, que por não terem escolha, se veem sob mandos de criminosos, convivendo diariamente com o tráfico em áreas em que as leis da criminalidade prevalecem, e o direito básico a segurança fornecido pelo estado, não vigora. Aceitar essas justificativas é como acreditar em contos de fadas e quadrinhos de super herói, um dia você amadurece e vê que tudo não passava de mera ilusão.
Se tudo fosse real, por que em décadas de domínio, nunca foi empreendido uma operação tão organizada como esta? Por que em anos e anos, não se viu tanto empenho e preocupação, por parte dos governantes, para com a paz nas favelas dominadas? Será que de uma hora para outra a segurança da sociedade fluminense passou a valer, como ações que aumentam de valor rapidamente na bolsa? Parece uma comparação sem importância e desnecessária, mas esta se mostra pertinente se analisarmos a realidade atual. Não só o Rio, mas o Brasil nos últimos anos passou a valer, e muito. Como se não bastasse ser um dos maiores redutos de recursos naturais do mundo, integrar o grupo dos países emergentes que apresentam grandes perspectivas econômicas para um futuro próximo, também se destaca mundialmente, e nos próximos 6 anos sediará dois grandes eventos mundiais esportivos, a copa do mundo de futebol, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. Dois eventos igualmente importantes que trazem consigo benefícios e também grandes prejuízos, de forma que estes começam a ser identificados desde já. O que ocorre atualmente no Rio, são apenas reflexos dos resultados cobrados principalmente pelas comissões organizadoras dos eventos e da comunidade mundial como um todo. Para sediar eventos como esses, são estabelecidas algumas metas a serem cumpridas respeitando determinados prazos, dentre as quais podemos citar os investimentos em infra-estrutura, melhoria dos transportes públicos, incentivos à iniciativa privada, MELHORIA DA SEGURANÇA PÚBLICA etc. Este último ponto destacado, é justamente o principal problema do Rio de Janeiro e também o principal alvo de cobranças.
Para tanto se investe desde já em ações paliativa no setor de segurança, visando empurrar para de baixo tapete a sujeira, e receber com casa limpa e bem arrumada os ilustres visitantes, sem se preocupar com o vento que certamente se encarregará de espalhar toda ela novamente.
M.S.
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